Desafios e Prioridades dos Comitês de Auditoria

Desafios e Prioridades dos Comitês de Auditoria

A efetividade do gerenciamento de riscos, assim como o compliance legal/regulatório, os riscos relacionados à segurança cibernética (cyber security) e a qualidade dos controles internos existentes para mitigar os riscos, estão no topo da lista dos desafios dos Comitês de Auditoria. (Fontes: Divulgação).

Considerando as expectativas globais de baixo crescimento e de incertezas econômicas e políticas, os avanços tecnológicos e de rupturas nos modelos de negócios, as ameaças cibernéticas, o contínuo movimento regulatório e o crescente ativismo por parte dos investidores em busca de maior transparência, é surpreendente que a maior parte dos Comitês de Auditoria em diversos países ainda aponte o gerenciamento de riscos como o principal desafio a ser enfrentado pelas empresas nos próximos anos.

Mais de 40% dos respondentes em 42 países afirmam que o sistema de gerenciamento de riscos existente na organização ainda requer melhorias significativas. Certamente, o seu monitoramento efetivo e contínuo,
em conjunto com ceticismo e agilidade, será particularmente importante, considerando as mudanças significativas no ambiente regulatório. Especificamente no Brasil, vale lembrar as mudanças que estão sendo propostas pela BM&FBovespa nos níveis diferenciados de governança, o Código Unificado de Governança Corporativa e as ações propostas pela CVM, o novo relatório do auditor, dentre diversas mudanças.

A Pesquisa demonstra uma alta confiança dos Comitês de Auditoria nas demonstrações financeiras, nos demais relatórios financeiros e na qualidade da auditoria independente; no entanto, aproximadamente 4 em 10 responderam que o Comitê aumentaria a sua efetividade
com um maior entendimento do negócio e dos principais riscos. Um terço dos respondentes considera como um grande benefício a existência de membros com expertise em tecnologia ou segurança cibernética (cyber security).

No geral, os Comitês de Auditoria estão satisfeitos com o tempo dedicado nas pautas de reuniões para o compliance legal e regulatório, o ambiente de controles internos, incluindo aqueles relacionados à preparação e à divulgação das demonstrações financeiras e demais
relatórios, assim como para as premissas estabelecidas pela gestão, que dão suporte às estimativas contábeis críticas. No entanto, há a percepção de que existe uma margem de aprimoramento no (pouco) foco dado ao plano de sucessão do CFO, na qualidade e habilidade dos profissionais das áreas Contábil e Financeira, na cultura corporativa e na liderança por meio do exemplo (tone at the top) e no alinhamento entre as prioridades de curto e de longo prazo da empresa.

A maior parte dos entrevistados acredita que na empresa em que atuam, há um longo caminho a ser percorrido na implantação e aplicação das novas normas contábeis. Globalmente, menos de 15% informam haver um plano estabelecido de implementação para a nova norma contábil de reconhecimento de receita, e menos de 10% reportam a existência deste plano para a norma sobre contratos de leasing – entre os respondentes no Brasil, essa última porcentagem sobe para 13%.

Das empresas que são afetadas pela divulgação tributária individual criada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), muitas expressaram preocupação sobre a falta de clareza ou de comunicação com o Comitê de Auditoria a respeito do assunto (25% globalmente e 31% no Brasil). Os respondentes também citaram oportunidades existentes para aprimorar a capacidade da empresa de gerenciar os riscos cibernéticos (cyber risk).

Obviamente, esses desafios variam de acordo com cada empresa e com cada país (e é difícil comparar dados de diferentes países — geralmente com ambientes de negócios, exigências normativas e práticas de governança corporativa significativamente distintos). Entretanto, os resultados da nossa pesquisa global têm como propósito auxiliar os Comitês de Auditoria a ajustar o seu foco, estabelecer padrões de comparação de suas
responsabilidades e práticas e reforçar a sua função de suporte ao Conselho de Administração.

O gerenciamento de riscos é um assunto prioritário dos Comitês de Auditoria

A efetividade do gerenciamento de riscos, assim como o compliance legal/regulatório, os riscos relacionados à segurança cibernética (cyber security) e a qualidade dos controles internos existentes para mitigar os riscos, estão no topo da lista dos desafios dos Comitês de Auditoria. Surpreendentemente, o gerenciamento de riscos ainda é a maior prioridade dos Comitês de Auditoria — e muito provavelmente, dos Conselhos de Administração — considerando as expectativas de baixo crescimento e a incerteza econômica, os avanços tecnológicos e as  mudanças revolucionárias nos modelos de negócios (disruptive innovation), as ameaças cibernéticas, o maior escrutínio dos órgãos reguladores e a exigência de transparência por parte dos investidores. No entanto, 48% dos respondentes brasileiros (e 42% globalmente) consideram que os processos de gerenciamento de riscos “exigem melhorias substanciais,” e 37% (15% globalmente) informaram que o sistema de gerenciamento de riscos “está em fase de planejamento/desenvolvimento”. Quando questionados sobre o tempo e expertise empregados pelo Comitê de Auditoria para monitorar o gerenciamento dos principais riscos da empresa, 44% dos respondentes brasileiros disseram que a atividade tem se tornado cada vez mais difícil.

 

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