Mais Administração, melhor Governança

Mais Administração, melhor Governança

O Conselho de Administração, como principal mecanismo interno de governança deve investir mais tempo na função de seleção, desenvolvimento, e avaliação de executivos. (Foto: Divulgação).

A partir de 2002, após os escândalos da Enron, Worldcom, Tyco etc., a governança corporativa ou a falta desta, tem sido evocada como a grande culpada de todos os males.

A boa notícia é que o jornalismo econômico não está totalmente errado ao afirmar que as falhas na governança corporativa tem contribuído e muito para os problemas que provocaram os escândalos supracitados. A má notícia é que antes da governança corporativa, quem tem falhado feio são os gestores.

Mas afinal o que vem a ser a governança corporativa? Onde , como , quando e principalmente por que ela surgiu?

Não se sabe ao certo há quanto tempo, mas a partir do momento em que um empreendedor resolveu se afastar do seu negócio e contratar um gestor , surgiu aquilo que os economistas denominaram “conflito de agência”, ou seja , um conflito de interesses entre o empreendedor/acionista , que quer maximizar o valor da empresa e seu agente (gestor) que as vezes maximiza seu retorno pessoal, ou no mínimo não coloca em risco sua remuneração , em detrimento da maximização do valor da empresa e em conseqüência do acionista.

A governança corporativa é o nome que se dá ao conjunto de mecanismos internos e externos que visam harmonizar a relação entre as partes (acionistas e gestores) e minimizar o conflito de agência, ou de interesses, entre o acionista (maximização do valor da empresa) e seu agente gestor ( maximização de sua utilidade pessoal).

A administração ou gestão de um empreendimento existe para atingir os objetivos do empreendimento para a qual foi contratada. Como mencionado anteriormente a gestão/é o “agente” contratado pelo acionista para gerir o empreendimento.

Cabe a Gestão a tomada de decisão, isto é o Planejamento , a Execução e Controle.

Controle e Planejamento são duas faces da mesma moeda (gestão) e portanto indissociáveis . No entanto a função Controle tem sido negligenciada no passado recente pelos gestores em geral e por um viés de interpretação vem sendo considerada uma função do ” Controller” ou do gestor financeiro da organização.

De fato, , a função Controle não é das mais simpáticas e prazerosas, porém é uma função de “linha” e não de “staff”, pois um gestor planeja, executa e controla , podendo delegar a execução, mas nunca o controle.

Todos os gestores, sejam eles financeiros , comerciais, de marketing, operações , recursos humanos tem precipuamente a obrigação de maximizar o valor da empresa no longo prazo com um nível aceitável de risco

Se os gestores fossem éticos e competentes e portanto cumprissem fielmente o contrato com os acionistas , maximizando o valor da empresa no longo prazo, com um nível aceitável de risco, todos os princípios da boa governança corporativa estariam resguardados:

Transparência – Aprendemos (ou ao menos nos foi ensinado) que como provedores de informação, devemos disponibilizar informação relevante e oportuna ao tomador de decisão

Equidade – Nosso contrato não diferencia acionista minoritário de controlador, na verdade ele estipula a maximização do valor da empresa no longo prazo.

Prestação de Contas – Está no contrato… recursos nos são entregues para que com eles alcancemos objetivos . De quando em quando ou a qualquer tempo temos que prestar contas sobre os recursos e o andamento dos negócios.

Responsabilidade Corporativa – Só se maximiza o valor da empresa no longo prazo se existe zelo pela perenidade dos negócios , satisfação de outras partes interessadas e níveis aceitáveis de risco.

O Conselho de Administração, como principal mecanismo interno de governança deve investir mais tempo na função de seleção, desenvolvimento, e avaliação de executivos.

Mecanismos internos e externos de governança, princípios, processos, códigos , sistemas e normas são necessários porém insuficientes, atrás disso tudo tem gente, e gente tem ambição, fraquezas e falta de competência. Cabe ao conselho contratar gente honesta, competente e investir continuamente em disseminação de princípios e treinamento para os gestores.

Planejamento, execução e Controle são as funções básicas de qualquer gestor, intrínsecas a sua profissão e ao contrato assinado com o acionista.

Fontes:

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