Accountability: compromisso e resultado

O primeiro passo para a responsabilidade é entender e determinar completamente a natureza e a extensão dos riscos dentro da organização

Confúcio, pensador e filósofo chinês, argumentava que: “governar pelo exemplo – e não pelo medo – inspiraria as pessoas a uma vida virtuosa”. Seus ensinamentos representam uma espécie de manual de regras para uma boa governança, cujo cerne é um amplo sistema ético. Governança está associada aos processos de interação e tomada de decisão entre atores envolvidos em um problema coletivo.

É a maneira por meio da qual regras, normas e ações são estruturadas, sustentadas, regulamentadas e responsabilizadas. Por seu turno, a Governança Corporativa emerge com o intuito de superar o chamado “conflito de agência”, resultante do fenômeno de separação entre a propriedade e a gestão empresarial. Sua preocupação consiste em criar mecanismos eficientes (sistemas de monitoramento e incentivos) capazes de garantir que o comportamento dos executivos esteja alinhado aos interesses dos acionistas.

Accountability, isto é, a prestação de contas, é um de seus princípios basilares.

Ao detentor da autoridade decisória cabe prestar contas, ou seja, fornecer razões normativamente reconhecidas que suportem suas decisões e/ou condutas, assumindo integralmente as consequências de seus atos e omissões. O Conselho de Administração é o órgão colegiado encarregado do processo de decisão de uma empresa em relação ao seu direcionamento estratégico.

Sua função é ser o elo entre os sócios e a diretoria executiva, para orientar e supervisionar continuamente a relação da gestão com as demais partes interessadas, de modo que cada parte receba um benefício apropriado e proporcional ao vínculo que possui com a empresa. Em termos gerais, a prestação de contas do Conselho de Administração consiste em assumir a responsabilidade por todas as atividades da empresa e apresentar uma avaliação justa, equilibrada e compreensível da posição e das perspectivas da organização para as partes interessadas.

O primeiro passo para a responsabilidade é entender e determinar completamente a natureza e a extensão dos riscos dentro da organização, estabelecendo canais claros para a tomada de decisão e a comunicação. Transparência é a chave para a prestação de contas. Relatórios abertos, claros e fidedignos ajudarão a organização a comunicar-se com as partes interessadas, firmando uma saudável conexão.

A responsabilidade precisa estar incorporada na cultura de uma entidade e estar sujeita à revisão, à medida que a organização cresce ou que seu perfil de risco muda. O “tone at the top”, ou “o exemplo vem de cima”, deve ser explícito e visível para todos que se relacionam com a empresa. É a bússola que norteia os valores e o clima ético de uma organização. O Conselho de Administração deve liderar esse processo, com conduta exemplar, alinhando o discurso à ação, vinculando compromisso ao resultado.

SOBRE O COLUNISTA:

Andriei BeberAndriei José Beber é Doutor em Engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professor do Programa de Cursos Conveniados da FGV Management e Conselheiro de Administração Certificado pelo IBGC. Conselheiro independente da Tecnisa e especialista nas áreas de Finanças, Gestão e Governança.

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