Cultura: alicerce das organizações

A cultura de um conselho deve alinhar-se à estratégia da organização

Reconhecido como um dos principais filósofos da era moderna, Immanuel Kant disse: “…pensamentos sem conteúdo são vazios; instituições sem conceitos são cegas…”. Cultura pode ser entendida como o modo de vida — os costumes e as crenças — de um grupo particular de pessoas. Invisível, tal qual o ar que respiramos, a cultura está ao nosso redor e dentro de nós.

Representa um modo de pensar e de se comportar; observa-se em todas as organizações humanas; e influencia o julgamento e o significado de nossas ações. Por sua vez, cultura corporativa é o conjunto de normas sociais (formais e informais) de uma empresa, que afeta as percepções, os motivos, as intenções e os comportamentos de seus colaboradores. O comportamento humano é pautado pelas normas sociais que prevalecem em uma empresa.

As empresas frequentemente codificam algumas dessas normas na forma de regras, estabelecendo um código de ética e conduta. Um grande número de padrões, porém, permanece informal. Ainda que não escritos, aqueles sujeitos a esses padrões normativos os conhecem, compartilham, e agem de acordo com eles. Inerente à Governança Corporativa, a cultura de uma empresa deve ser encarada como um ativo estratégico. Inclui ainda, a expectativa concreta de uma conduta aceitável, tanto interna quanto externamente à organização.

Atualmente, a cultura organizacional transformou-se em um importante item na pauta dos Conselhos de Administração.

A sociedade exige uma evolução nos padrões de conduta das empresas, ampliando as perspectivas em torno do papel dos Conselhos de Administração na sua construção.  E o primeiro passo nessa direção é o comprometimento. O “tone at the top”, ou “o exemplo vem de cima”, deve ser explícito e visível para todos que se relacionam com a empresa. É a bússola que norteia os valores e o clima ético de uma organização.

Devidamente fomentado, é o alicerce sobre o qual a cultura de uma empresa é construída. O Conselho de Administração deve liderar esse processo, com conduta exemplar, rompendo paradigmas retrógrados, conservadores e negativos para a empresa, alinhando o discurso à ação.

Em última análise, a cultura é o amálgama que garante a unicidade de uma organização. Afeta a forma como as coisas são feitas, como as operações e os relacionamentos das partes interessadas são gerenciados e, mais importante, como as pessoas se comportam quando ninguém está olhando. De maneira congruente, a cultura de um Conselho de Administração é definida por regras não escritas, que influenciam as interações e decisões dos conselheiros.

A cultura de um conselho deve alinhar-se à estratégia da organização, compreender o ambiente de negócios onde opera e, principalmente, conduzir os negócios de forma ética, comprometido com a organização, com aqueles a quem serve, com a comunidade e uns com os outros. E nas palavras de Peter Drucker, um alerta: “A cultura engole a estratégia no café da manhã”.

SOBRE O COLUNISTA:

Andriei BeberAndriei José Beber é Doutor em Engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professor do Programa de Cursos Conveniados da FGV Management e Conselheiro de Administração Certificado pelo IBGC. Conselheiro independente da Tecnisa e especialista nas áreas de Finanças, Gestão e Governança.

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