Desconstruindo a liderança

Liderança é, também, ascendência moral

Líderes são bem-sucedidos até que falhem. Assumir riscos e, eventualmente falhar, é da natureza da liderança. De acordo com recente estudo do Center for Creative Leadership, cerca de 40% dos novos executivos falham em seus primeiros 18 meses no cargo, e um percentual ainda maior, não consegue atender às expectativas de quem os contratou.

Parte desse fenômeno pode ser explicada por processos de seleção ineficientes e pela ausência de acompanhamento e suporte. Um líder eficaz aprende com o fracasso e avança. Entretanto, existem falhas na liderança, não necessariamente associadas à assunção de riscos, que podem comprometer e paralisar uma organização.

O esforço da organização para compreender as razões e causas dessas falhas é imprescindível. Negligenciar essas causas sufoca a capacidade da empresa de buscar novas oportunidades e impede o avanço das organizações. Mesmo que se possa atribuir esses infortúnios ao azar ou timing equivocado, pesquisas têm sugerido que, dentre as principais causas, encontra-se a inaptidão ¾ cognitiva e comportamental ¾.

Primeiro, porque existe uma tendência inconsciente do líder em atribuir maior relevância às informações que vão ao encontro de suas crenças, hipóteses e experiências recentes, em detrimento de variáveis conflitantes. Muitos líderes criam, involuntariamente, barreiras pessoais que corroem sua capacidade de manter os princípios de liderança, rigor metodológico e motivação.

Por outro lado, o excesso de confiança conduz os líderes a superestimar sua capacidade de gerenciar o negócio, assumindo riscos demasiados na expectativa de que têm controle sobre suas consequências. É importante que os líderes compreendam que suas habilidades, conhecimento, experiência e liderança serão continuamente desafiados em um mercado cada vez mais volátil e complexo.

A liderança tem de ser adaptável.

Em outras palavras, o pensamento que tornou possível o sucesso de ontem pode ser, eventualmente, o mesmo pensamento que resultará em seu fracasso amanhã. Em contrapartida, a credibilidade de um líder é consequência de dois aspectos: o que faz ¾ sua competência ¾; e o que é ¾ seu caráter ¾.

A discrepância entre esses cria um problema de integridade. Quando a integridade deixa de ser prioridade para um líder, a obtenção de resultados torna-se mais importante do que os meios utilizados para sua realização. É nesse momento que o líder adentra um terreno pantanoso, onde a ética é de conveniência.

Muitas vezes esses líderes enxergam seus liderados como simples peões, confundindo manipulação com liderança. Esses líderes não têm empatia. Liderança é, também, ascendência moral. Por fim, a liderança não pode ser um fardo. Deve ser gratificante e, até mesmo, divertida.

Um líder deve caminhar convencido que toda tarefa, não importando sua dimensão, lhe traz cada vez mais perto de seus sonhos. Ao elaborar a fórmula da liderança, o especialista em comportamento organizacional, professor Nigel Nicholson ensina: “A eficácia da Liderança envolve ser a pessoa certa, no momento e no lugar certo, fazendo a coisa certa”.

Isto significa que a liderança pode assumir variadas formas para uma infinidade de situações, e os líderes falham quando o seu modelo, insight ou relacionamentos estão errados.

SOBRE O COLUNISTA:

Andriei BeberAndriei José Beber é Doutor em Engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professor do Programa de Cursos Conveniados da FGV Management e Conselheiro de Administração Certificado pelo IBGC. Conselheiro independente da Tecnisa e especialista nas áreas de Finanças, Gestão e Governança.

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