Governança Corporativa e a Transformação Digital

Os Conselheiros precisam se instruir sobre a transformação digital

Ao revisitar o papel da estratégia nas organizações, Michael Porter adverte: “a essência da estratégia apoia-se em executar as atividades de forma diferente ou realizar atividades diferentes dos rivais.” E continua: “Toda e qualquer estratégia será inócua, se não for implementada corretamente”. Empresas de todo o mundo vêm se aproveitando dos avanços digitais para transformar seus negócios.

Soluções móveis, redes sociais, análise de dados, internet das coisas e inteligência artificial estão mudando a forma como as empresas interagem com seus clientes, seus processos internos e até mesmo seus modelos de negócio. Contudo, embora a transformação digital apresente uma miríade de novas oportunidades, ela cria, naturalmente, novos desafios.

A transformação digital requer uma liderança forte (tone at the top) para moldar uma nova cultura organizacional.

Nesse contexto, a Governança Corporativa é um fator crítico de sucesso, especialmente para os “migrantes” digitais. E os Conselhos de Administração, que têm o dever fiduciário de fomentar a geração de valor, garantindo a sustentabilidade de longo prazo, precisam pensar e agir de modo diferente.

De um lado, essas organizações precisam respeitar as limitações de seu legado analógico, sem sufocar a agilidade necessária para a mudança. Do outro, devem evitar os modismos cujos benefícios prometidos nunca são percebidos. Ainda que a experiência acumulada mostre o protagonismo dos Conselhos de Administração, especialmente nas áreas de finanças e gestão de negócios, as evidências sobre seu papel na inovação são limitadas.

A transformação digital não afeta apenas os produtos, serviços e modelos de negócios das organizações, mas também os papéis e responsabilidades, as estruturas e os processos de governança. Isso inclui repensar a estrutura organizacional em torno de ativos digitais atuais e futuros e o processo de inovação.

Os Conselhos precisam discutir o impacto das tecnologias emergentes e, principalmente, como a empresa planeja capitaliza-las. À medida que as empresas adotarem novas tecnologias, precisarão investir em educação e treinamento para preencher o deficit de competências digitais.

Os Conselheiros, por sua vez, precisam se instruir sobre a transformação digital e se envolver com tecnologias disruptivas, a fim de avaliar o que faz sentido para a empresa e suas aspirações. Nas palavras de JFK, um ensinamento: “A mudança é a lei da vida. Aqueles que olham apenas para o passado ou para o presente serão esquecidos no futuro.”

SOBRE O COLUNISTA:

Andriei BeberAndriei José Beber é Doutor em Engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professor do Programa de Cursos Conveniados da FGV Management e Conselheiro de Administração Certificado pelo IBGC. Conselheiro independente da Tecnisa e especialista nas áreas de Finanças, Gestão e Governança.

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