Remuneração Executiva

O Conselho deve garantir que a remuneração seja eficaz, na medida em que permite alcançar os objetivos desejados

A Esfinge — uma besta com cabeça de mulher, asas e corpo de animal — formulava um enigma a todos os viajantes que se aproximavam da cidade de Tebas. Quem errava o enigma era devorado por ela. Alinhar os interesses de diferentes stakeholders, a partir de uma ação reflexiva em torno da ética, é o enigma da Governança Corporativa.

Uma das principais responsabilidades do Conselho de Administração é a supervisão da remuneração dos executivos. Cabe ao Conselho aprovar a filosofia geral, assim como os elementos do programa de remuneração executiva, garantindo sua divulgação. Responsabiliza-se por atrair e reter executivos qualificados, capazes de assegurar a consecução da missão da organização.

Esse processo, porém, apresenta limitações, uma vez que pretende harmonizar expectativa, possibilidade e viabilidade. Estes elementos não podem ser considerados isoladamente.

A política de remuneração deve ser elaborada em consonância com a estratégia corporativa, a tolerância a riscos da empresa, sem descuidar dos anseios de seus acionistas.

Essencialmente, o Conselho deve garantir que a remuneração seja eficaz, na medida em que permite alcançar os objetivos desejados; responsável, em termos de seu impacto financeiro; e defensável, ou seja, capaz de ser explicada e justificada.

A crise financeira global de 2008 suscitou uma onda de reformas regulatórias. Nos EUA, a Lei Dodd-Frank de Reforma de Wall Street e de Proteção a Consumidores, representou a mais abrangente revisão da regulamentação financeira norte-americana desde a década de 30. Com 2300 páginas, apresenta uma série de procedimentos de Governança Corporativa, dentre os quais destaca-se o “Say on Pay”, mecanismo que permite que os acionistas se pronunciem sobre a adequação da remuneração dos executivos.

Além disso, exige que as empresas divulguem o valor médio da remuneração da força de trabalho da empresa e comparem esse número com a remuneração do CEO, na forma de uma proporção. Foi, 2018, o primeiro ano em que as empresas norte-americanas foram obrigadas a calcular e divulgar essas informações.

Observaram-se variações significativas, em função do tamanho da empresa e seu setor de atuação. A mediana foi 70:1, variando de 27:1 nas empresas com faturamento inferior a US$ 500 milhões e 230:1 naquelas com faturamento superior a US$ 15 bilhões. Por outro lado, empresas do setor financeiro apresentaram uma proporção 40:1, e 186:1 no setor de bens de consumo. Não obstante ser prematuro antever todos os desdobramentos e implicações da obrigatoriedade dessa divulgação, este debate não pode mais ser negligenciado.

Os salários dos executivos não têm a finalidade de mantê-los felizes. Trata-se de encontrar o equilíbrio adequado entre o quê esperam os acionistas, o quê o mercado pratica, mas, principalmente, o quê a empresa precisa. Ralph Waldo Emerson, filósofo norte-americano e ferrenho opositor do racionalismo disse: “Sirva e você será servido. Não se pode, por omissão ou dissimulação, escapar da remuneração”.

 

SOBRE O COLUNISTA:

Andriei BeberAndriei José Beber é Doutor em Engenharia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professor do Programa de Cursos Conveniados da FGV Management e Conselheiro de Administração Certificado pelo IBGC. Conselheiro independente da Tecnisa e especialista nas áreas de Finanças, Gestão e Governança.

Quer saber mais ou entrar em contato com o Andriei? Clique aqui e visite o perfil dele no BoardPlace.

Avalie este artigo: 1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas 6 

Você pode gostar...

X