Conselho da Petrobras e as lições para empresas familiares

“Um Conselho deve ser o guardião da boa Governança.”

Na última semana os acionistas da Petrobras aprovaram em sua assembleia a reforma do Estatuto Social, elevando de 30% para 40% o número de Conselheiros Independentes para o seu Conselho de Administração. Este fato é algo de relevante para a empresa e seus sócios fazendo jus a manchetes de jornais em seus cadernos voltados a assuntos empresariais. E por que?

O número de Conselheiros Independentes é de certa forma um indicador do nível de Governança Corporativa que a empresa está buscando alcançar.

Conselheiros Independentes são aqueles que participam dos Conselhos não tendo vínculo emocional, familiar ou profissional com a empresa .

Pela falta de vínculos, o Conselheiro Independente está livre para se posicionar sobre os assuntos tratados sem rodeios e medo de melindres. Já um gestor da empresa, amigo ou um familiar convidado a participar de um Conselho pelos vínculos que tem com a instituição, pensará duas vezes antes de emitir uma opinião na reunião do Conselho. Portanto a posição de neutralidade de um independente é importante.

Infelizmente a falta de neutralidade de Conselheiros permitiu que grandes corporações a nível mundial abrissem brechas para que acontecessem os tantos escândalos corporativos que acompanhamos apenas nestes últimos anos. Nestas empresas o Conselho não cumpria efetivamente o seu papel, devido a falta de Conselheiros Independentes.

Assim sendo, o cerco em torno da boa Governança Corporativa  que deverá ser praticada pelas empresas se fechou e continua se fechando para que regras mais rígidas sejam impostas em torno da transparência, conhecimento dos atos e forma de gestão.  Falamos até agora das grandes corporações, mas vamos dirigir o foco para empresas de menor porte, sobretudo as familiares.

Parece simples convidar um terceiro à empresa para participar de discussões ligadas ao desempenho, investimentos e estratégias da organização. Mas a realidade tem mostrado a tendência de  uma forte resistência inicial, principalmente por parte dos fundadores das empresas, aos independentes. Eles sentem desconfiança  e desconforto em compartilhar os dados econômico – financeiros, planos e projetos a terceiros. Assim os fundadores e por muitas vezes seus filhos, preferem convidar para o Conselho de suas empresas, amigos, parentes, ex funcionários, advogados ou consultores. Podemos neste caso ter eventualmente um bom Conselho, mas onde nenhum dos votos ou opiniões seja totalmente neutros.

A formação de um Conselho é o início da verdadeira profissionalização de uma empresa.

Ao Conselho terão que ser apresentados dados e fatos transparentes, sobre estes é que decisões serão tomadas. Existindo estes dados e convidando  alguém  com o perfil adequado para ser Conselheiro Independente, a empresa só tem a ganhar. Os sócios, principalmente os que apenas detém cotas ou ações e que não estão envolvidos na gestão empresarial, se sentirão mais seguros em relação à administração de seu patrimônio.

Em nosso sistema, uma empresa precisa ser administrada para gerar ganhos aos seus sócios, sejam eles poucos membros de uma família ou milhares de acionistas. Os conselheiros Independentes zelarão com foco nos interesses da empresa para que seus objetivos sejam alcançados.

SOBRE O AUTOR:

Fundador da Lanz Consultores Associados, empresa especializada em governança corporativa, gestão de empresas médias e grandes no Brasil. Formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É Conselheiro de Administração certificado pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Palestrante e  coautor dos livros: Aspectos Relevantes da Empresa Familiar (Editora Saraiva) e Empresas Familiares – Uma Visão Interdisciplinar (Editora Noeses).

Quer saber mais ou entrar em contato com o Thomas? Clique aqui e visite o perfil dele no BoardPlace.

 

 

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