Conselho é a chave para a sobrevivência das empresas familiares

Deve haver um equilíbrio entre os membros do conselho, dependendo do nível de talento da família

Um dos grandes dilemas das empresas familiares que querem inovar para permanecer no mercado é a composição dos conselhos de administração.

De acordo com a empresa especializada em consultoria de proprietários de empresas familiares, Virtus Partners, é muito comum ver que a composição de seus conselhos é predominantemente de membros da família e é o que determina a empresa, e é por isso que grupos familiares deixam de ser inovadores e têm uma alta taxa de mortalidade (apenas 30% dos grupos familiares chegam à terceira geração).

E não é por menos esse aviso. Segundo a Pesquisa sobre Governança Corporativa na América Latina, realizada pela Superintendência de Empresas da Colômbia, 97,1% das empresas desse tipo na região não separam os negócios da família nos conselhos de administração.

Além disso, apenas 8,3% dos conselhos de administração da América Latina possuem membros independentes.

Da mesma forma, segundo a Virtus, os grandes empreendedores da região tendem a dar pouca importância à necessidade de integrar outros tipos de membros aos órgãos de governo, além de sua própria representação patrimonial.

Segundo estudos da EY, 80% das empresas no mundo são de origem familiar. Destes, as PME não são apenas adicionadas. 25% das 100 maiores empresas europeias são de propriedade familiar. E, no caso das economias emergentes, 60% das empresas avaliadas em mais de 1 trilhão de dólares são controladas por grupos familiares.

“Devido à sua importância importante, a modernização dos conselhos de empresas familiares é uma questão premente. Como essas são uma das maiores fontes de geração de valor e emprego em nível global, os órgãos diretivos desses grupos têm a necessidade de revisar constantemente seu objetivo, uma vez que o contexto econômico, político, tecnológico e regulatório está mudando a cada vez. Mais acelerado, impondo novos desafios em termos de capacidades e formas de embarque “, disse Virtus Partners.

No caso da América Latina, a importância desse tipo de empresa é maior, já que 60% do PIB regional vem desses grupos, que também empregam 70% da força de trabalho na América Latina e no Caribe.

Segundo Andrés Maldonado, sócio-parceiro da Virtus Partner, não existe uma receita única que funcione para todos, pois cada empresa possui características próprias. No entanto, há alguns princípios orientadores que devem ser buscados quando se pensa na composição dos Conselhos de Administração em empresas familiares.

Maldonado ressalta que, por um lado, deve haver um equilíbrio entre os membros do conselho, dependendo do nível de talento da família. “Se houver pouco talento, deve haver uma maioria de independentes, mas o oposto pode acontecer quando há boas habilidades e experiência entre os membros da família”, explicou.

Também deve haver diversidade entre os membros do conselho, como diversidade de gêneros, idade, experiência, educação e nacionalidade, para citar alguns, tudo para evitar um pensamento de grupo uniforme e garantir um bom nível de debate.

Por fim, segundo Maldonado, os conselhos devem tender à complementaridade de seus membros. Isso significa que existem perfis que agregam mais ao coletivo e tendem a manter uma contribuição individual e diferentes formas de enfrentar os desafios para evidenciar fatores racionais como fatores emocionais.

“É essencial ter quatro tipos de membros nos conselhos de administração. É importante que os proprietários estejam sentados à mesa. Também é fundamental que haja membros sucessores, que tenham um papel de aprendizado que ajude a garantir a sustentabilidade do sistema, membros independentes que forneçam uma visão externa dos membros executivos e de negócios, pois são a ponte com o que está acontecendo no futuro da organização”, explicou.

Maldonado enfatizou o papel e a contribuição de conselheiros independentes para aqueles que conseguem trazer conhecimento específico do setor, têm uma visão objetiva e imparcial que ajuda a equilibrar a emotividade dos grupos familiares, fortalecendo o profissionalismo dos Conselhos e tendo a capacidade de discordar dos membros da família quando as circunstâncias o justificam.

Por outro lado, ele enfatizou que a experiência e as habilidades técnicas dos membros do Conselho são tão importantes quanto suas capacidades adaptativas e dinâmicas. “Você precisa de conhecimento específico da indústria, tecnologia, variáveis ​​econômicas, bem como planejamento estratégico e organização, cultura e capacidade de liderança”, disse ele.

No entanto, as características pessoais dos diretores são igualmente importantes, incluindo sua integridade, capacidade de ouvir, trabalhar em equipe e construir coletivamente, assim como um nível de conexão e comprometimento com os negócios da família.

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