Investimentos nas empresas familiares

 

Entender o que está dificultando o crescimento do negócio, é algo comum entre os donos de empresas familiares, que ainda não sabem lidar com a inovação.

A esta hora, provavelmente milhares de empreendedores  estão com as mãos na cabeça, pensando o que fazer com as linhas de produtos de suas empresas. É muito comum observarmos que o catálogo de itens de uma determinada fábrica está chegando ao declínio de seu ciclo de vida. Os produtos ofertados já não atraem mais tanto o consumidor seja por  obsolescência  ou  substituições por outros artigos.

Em muitos casos o último a perceber isto é o próprio dono da empresa, que não consegue entender porque seus números de venda e desempenho começam a declinar. Convoca seus gestores para analisar a situação e buscar alternativas para contornar a situação.

As ideias de novos produtos ou inovações das linhas já existentes, são um caminho possível para tirar a empresa da vulnerabilidade.

As equipes de trabalho se debruçam a seguir sobre os desafios impostos em relação às inovações.  Após algum tempo  verificam que as ideias e respectivas ações tomadas foram inócuas ou surtiram  pouco efeito. Parte-se então na busca de um produto “ salvador da pátria “,  diferente e novo,  destinado a uma mercado totalmente diferente.

Entretanto este novo produto tão sonhado gera novas frustrações. Ele simplesmente não vinga internamente na empresa e não tem aceitação junto ao mercado.  A explicação para isto é  simples. A fábrica existe em função de um determinado negócio. Os funcionários, os equipamentos e o esforço  de todos gira em torno da linha de produtos que durante anos e anos foi a razão do negócio. Não é de uma hora para outra, que uma empresa pode ser transformada para aparecer no mercado com algo novo e diferente. Esforços hercúleos em desenvolvimento, marketing, produção teriam que ser realizados. E isto em geral requer investimentos muito elevados para os quais a empresa não tem folego para suportar.

Muitas empresas, sem se darem conta,  possuem um enorme capital humano à sua disposição formado pelos herdeiros das famílias empresárias.

Estes, com uma forte veia empreendedora, não mostram interesse e entusiasmo pelos negócios da família, em parte  por estarem inseridos num contexto que para os jovens já parece ser antiquado. Não fazem mais parte da quarta revolução industrial (4.0).  Querem empreender por conta própria e tem sonhos de transformarem suas ideias em empresas de sucesso.

Os chefes de família precisariam detectar estas oportunidades e fazer com que suas empresas se associassem aos filhos no esforço de  desenvolvimento de novos negócios. As chances de sucesso podem ser grandes sendo ao mesmo tempo uma forma muito inteligente de diversificação dos negócios já existentes. Dificilmente um empresa tradicional se transformará por conta própria. Ela poderá aperfeiçoar e melhorar sua paleta de ofertas, mas dificilmente será disruptiva. Este movimento poderá acontecer com os revolucionários da nova era industrial.  Podemos de forma um pouco exagerada dizer: montar uma aceleradora de negócios “in house“ em parte com membros da própria família.

Para isto acontecer,  os pioneiros precisam sair de seus casulos e entender o que está acontecendo  em termos de evolução tecnológica, maneira de fazer negócios, formas de avaliar a performance dos negócios, etc. Em segundo lugar, precisam criar espaço e liberdade para que as novas gerações coloquem em prática e experimentem  suas ideias empreendedoras. Em terceiro precisam estar dispostos a investirem nos novos talentos e conquistá-los para que se interessem também pelo negócio original da família.

Em última instância, mesmo não trabalhando diretamente na operação do negócio familiar serão no futuro os detentores e controladores do capital. O maior desafio é aproveitar o enorme potencial que pode existir na família empresaria em relação a novas ideias e possibilidades de investimentos. Oportunidades certamente não faltarão.

SOBRE O AUTOR

Fundador da Lanz Consultores Associados, empresa especializada em governança corporativa, gestão de empresas médias e grandes no Brasil. Formado em Economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É Conselheiro de Administração certificado pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Palestrante e  coautor dos livros: Aspectos Relevantes da Empresa Familiar (Editora Saraiva) e Empresas Familiares – Uma Visão Interdisciplinar (Editora Noeses).

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