Premissas para um plano de sucessão

“Uma empresa precisa estar pronta para enfrentar os novos tempos, com capacidade de performar acima da média e assim manter-se no jogo.”

O tema sucessão não é simples. A mera ideia de que alguém precisa de um sucessor, por si só, gera desconforto, força as pessoas a encarar sua finitude, que na vida existe começo, meio e fim. Quando falamos em planejar a sucessão, especialmente em uma empresa familiar, estamos falando de lidar com uma gama abrangente de aspectos: estratégicos, societários, tributários, de gestão, comportamentais e emocionais.

Pensar em sucessão exige disposição para enfrentar o novo. É preciso pensar o futuro a partir de uma nova realidade organizacional

Fazendo acontecer

Para que esse processo aconteça harmonicamente é necessário conduzi-lo de forma que sucessor e sucedido alcancem seus objetivos e que o negócio não perca o ritmo e o resultado. Empresas, sejam elas familiares ou não, estão sujeitas a terem sua expectativa de vida afetada por diferentes agentes, muitas vezes, não controláveis.

Mudanças das regras de mercado, o próprio ciclo de vida de seus produtos e serviços, mudança de comportamento e das necessidades do seu público consumidor, concorrência, novas tecnologias, enfim, exigem disposição para enfrentar desafios e que se tenha capacidade de renovar-se continuamente.

Visualizar o amanhã e pensar ações de longo prazo são condições básicas para a manutenção de um negócio e isso exige planejamento. Para John Ward, professor da Kellogg School of Management e do IMD (International Institute for Management Development), a dificuldade de pensar o futuro é uma das principais causas do fracasso de uma empresa. O planejamento estratégico aumenta as opções e a capacidade de resposta de uma empresa frente às mudanças; gera informações que reduzem as incertezas; melhora a organização interna e inibe as especulações; estimula as forças competitivas da empresa; ajuda a preservar recursos, melhora sua relação com os diferentes stakeholders, entre outros benefícios. Pensar o futuro passa, necessariamente, pelo plano de sucessão.

Todo empreendedor que pense na preservação do seu negócio precisa pensar na sua transição. Para que um processo de sucessão aconteça é preciso que o dono do negócio queira. Mais do que isso, ele precisa fazê-lo acontecer. Estabelecer o que se quer para o negócio, preparando-o, definindo como pretende chegar lá, lastreado em que valores e perpetuando suas diretrizes na missão da empresa. Deve orientar o próprio processo sucessório. Além dos aspectos tangíveis, é preciso sempre ter em mente que a busca de um novo líder vai além da nomeação de um novo presidente.

Aceitar ajuda na condução desse processo é uma recomendação válida. A empresa – e a família – terão muitas questões e variáveis para lidar. Isso traz tal grau de desconforto que o apoio de um especialista torna-se fundamental. Tocar o processo amadoristicamente pode trazer desnecessários riscos para o negócio e para os relacionamentos.

Uma das razões para que uma empresa familiar avalie com atenção e cuidado os desafios de um plano sucessório se sustenta na exigência da economia cada vez mais dinâmica, globalizada e complexa.

O Brasil está mais que inserido nesse contexto, com perspectivas de crescimento consideráveis em meio à competição acirrada em todos os setores produtivos. As empresas bem estruturadas em sua gestão e com bases consolidadas em boas práticas da Governança Corporativa são mais capazes.

Uma empresa precisa estar pronta para enfrentar os novos tempos, com capacidade de performar acima da média e assim manter-se no jogo. Ser percebida como tal é tão importante quanto ter um programa focado na geração de novas lideranças, ancorado em um bom plano de sucessão que crie o ambiente e defina a instrumentalização do negócio para que ele perdure.

 

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