Conselho de Administração e o desenvolvimento do mercado brasileiro

Em paralelo a um mercado ainda em constituição existe a crescente procura de profissionais pela formação como conselheiro de administração

A globalização, a revolução tecnológica, o desenvolvimento e a sofisticação natural do Mercado de Capitais, os escândalos corporativos e as recorrentes crises financeiras globais bem como, o efeito de operações anticorrupção, entre vários outros temas correlatos, produziram como consequência, a necessidade de evolução consistente dos Sistemas de Governança Corporativa.

Despertando nas companhias brasileiras de médio e grande porte, mesmo nas de capital fechado, a necessidade de compreenderem mais profundamente a formação, o papel e o funcionamento de um Conselho de Administração.

Ainda que com um mercado de conselheiros incipiente, o Brasil apresentará no longo prazo um cenário propício para a atuação destes profissionais, motivado por duas principais razões: expectativa por parte dos executivos, de uma vida útil mais alongada – em pesquisa realizada pela Talenses, que pretendeu compreender os próximos passos de executivos da alta liderança, 44% dos respondentes afirmaram planejar se tornar conselheiro.

Esta foi a opção mais escolhida entre todas as alternativas possíveis do levantamento – e a busca cada vez maior das empresas por profissionais que possam contribuir com análises e o direcionamento estratégico de seus negócios.

Em paralelo a um mercado ainda em constituição existe a crescente procura de profissionais pela formação como conselheiro de administração. O IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa conta com um cadastro de mais de mil nomes de conselheiros formados pelo Instituto e nota o aumento na procura a cada ano.

Em 2015, 613 profissionais receberam a certificação de conselheiros administrativos, em 2016 este número subiu para 670 e em 2017 o Instituto entregou 702 certificações. O mercado, porém, tem certa dificuldade em absorver todos estes profissionais imediatamente e isso vai acontecendo na medida em que as empresas no Brasil adquirem mais consciência sobre o tema e aprimoram como consequência, os próprios sistemas de governança, criando, portanto, um ambiente de negócios mais favorável a mudanças na cultura de gestão de seus negócios.

É notável que movimentos anticorrupção, como a Lava-Jato, aqueceram de certa forma o mercado de conselheiros de administração e despertaram a consciência das organizações para as necessidades de boas práticas de gestão.

Como o papel do conselho é garantir a idoneidade da companhia e fiscalizar sua administração, a necessidade de blindar sua reputação torna-se mais evidente e gera mais segurança quanto à longevidade e perpetuidade do negócio.

A busca por mais transparência dentro das empresas, fomentada pelos escândalos políticos, também impulsionou a seleção de Conselheiros Independentes no Brasil, já que a soma de opiniões externas assegura credibilidade ao mercado e aos stakeholders.

Com isso, o mercado brasileiro de conselhos de administração vai aos poucos se moldando e neste movimento, algumas empresas passam a utilizar consultorias de recrutamento especializadas para a seleção de seus conselheiros, com o objetivo de promover um processo seletivo idôneo e mais imparcial.

Outro aspecto que aponta para um futuro promissor na carreira de conselheiro é a mudança na Lei das Estatais (13.303/2016), que estabelece mecanismos de transparência e governança das empresas públicas e das sociedades de economia mista. A lei vem para regular essa rotina de governança corporativa nas empresas públicas ou de sociedades mistas, mas também estimula as empresas de capital fechado a implantar boas práticas.

O Brasil atravessa agora o momento que os Estados Unidos, que hoje tem os melhores exemplos de compliance, atravessou no início dos anos 2000 com escândalos fiscais e contábeis descobertos em diversas empresas, após a fraude da Enron. A gigante do setor de energia pediu concordata após uma série de denúncias e o caso foi o estopim para que problemas de governança corporativa ganhassem destaque, evidenciando a importância das boas práticas neste sentido.

Estamos passando por um processo de franca profissionalização, transformação e aprimoramento, inclusive cultural, dos temas de compliance e de governança corporativa. No momento em que a economia voltar a sinalizar uma agenda mais liberal e menos protecionista, veremos uma aceleração deste processo. Neste sentido, quanto mais em evidência o Brasil estiver para o mundo, mais propício para os investimentos em conselhos e governança ele estará.

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