Agenda para o futuro

“O Brasil é um celeiro de novas tecnologias, com destaque para os setores financeiro, de tecnologia da informação e educacional”

Um dado é extremamente preocupante para a economia brasileira: a queda da produtividade, com crescimento negativo de 4%, segundo o Banco Mundial (2018). Nosso futuro econômico dependeria de maiores recursos em inovação, infraestrutura, novas tecnologias e em educação.

Sem uma combinação adequada destes fatores, nosso horizonte está seriamente comprometido.

Desde o ano passado, diversas universidades americanas de prestígio e centros de pesquisas brasileiros têm dedicado grande parte da sua agenda para o papel da gestão pública na promoção do crescimento e da produtividade. A agenda fiscal, o melhor ambiente de negócios, a geração de empregos e a carga tributária são assuntos recorrentes na mídia econômica especializada. No entanto, poucos são aqueles dedicando tempo para uma visão de futuro e na criação de projetos relevantes.

Temas como gestão de dados, inteligência artificial, blockchain, computação quântica e crescimento das cadeias globais de valor estão na pauta de países desenvolvidos como Estados Unidos, China, Coréia do Sul e Alemanha. E o Brasil, onde estaria neste contexto? É urgente o debate para uma nova agenda da gestão pública, setor reconhecido como grande indutor dessas questões, por meio de políticas públicas.

Os Estados Unidos fizeram, anos atrás, grandes investimentos em pesquisas, através do seu Departamento de Defesa. Desses investimentos, associados às melhores universidades da época, surgiram polos como o Vale do Silício.

Se hoje o mundo utiliza os serviços de diversas startups exponenciais, isso é resultado de toda uma agenda criada tempos atrás.

O caso da Coréia do Sul também é emblemático. Um país outrora com baixa representatividade no comércio internacional, absolutamente fechado para investimentos estrangeiros e com pouca mão de obra qualificada, optou pela elaboração de um plano ousado e de futuro, gerando uma nação invejável, com diversos novos negócios e oportunidades de trabalho, incentivando a educação.

Parece redundante citar estes casos todos, como se o Brasil não pudesse ser capaz de construir uma agenda para o futuro. Engano total. Vale destacar o agronegócio como um exemplo. Fomos capazes, sim, de gerar um agronegócio referência para o mundo.

Mas isso não foi fruto do acaso. Foram necessários investimentos significativos em pesquisa, atração de gente qualificada, a criação da Embrapa e uma aposta para o longo prazo. Se o resultado do nosso PIB é razoavelmente positivo atualmente, devemos agradecer este setor.

Outro exemplo é o nosso setor aeroespacial. Toda a representatividade da Embraer advém de uma agenda bem similar à do agronegócio. A partir de uma visão e do empreendedorismo dos fundadores da empresa, da criação do ITA, da absorção de conhecimento das melhores mentes disponíveis no mundo e da presença inicial do governo, como um promotor dos investimentos, hoje tem-se uma multinacional entre as maiores do mundo no setor em que atua.

Muitos outros casos de sucesso poderiam ser citados aqui. Hoje, o Brasil é um celeiro de novas tecnologias, com destaque para os setores financeiro, de tecnologia da informação e educacional.

Se o objetivo for o aumento do retorno social, os gestores públicos deveriam entender com maior profundidade a urgência da inclusão do crescimento e dos investimentos em inovação e educação entre os assuntos prioritários. Passado o período eleitoral, o momento é muito oportuno para a criação de um plano de longo prazo, alinhado com uma nova gestão pública e que atenda às necessidades de uma sociedade moderna.

Avalie este artigo: 1 Estrela2 Estrelas3 Estrelas4 Estrelas5 Estrelas 8 

Você pode gostar...

X